PRESERVAÇÃO DO GAVIÃO-REAL É TEMA DE DESAFIO


Camila Delmondes Dias
Luciano Claudino

Ave está em extinção - Foto: Divulgação
Salvar a maior ave de rapina do mundo da extinção é o tema da III edição do Grande Desafio do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, em Campinas. Com inscrições abertas até 14 de junho, a competição lança a estudantes de todo o país, a missão de resgatar um ovo de gavião-real localizado em árvores emergentes, acima de 40 metros. Para isso, eles deverão planejar construir e operar um equipamento capaz de alcançar o ninho do pássaro. “Vamos ajudar a salvar uma ave em extinção, ajudar essa espécie a permanecer viva”, diz o estudante Arthur Tescarolli, líder da equipe Apoiados, inscrita no concurso.

Monogâmica, cada Harpia hapyja, vive em uma região aproximada de 500 km de área, o que dificulta o seu rastreamento e preservação. Para agravar o seu desaparecimento, o primogênito mata o filhote mais novo para garantir a oferta de alimento. A proposta do Grande Desafio para a continuidade da espécie é conseguir resgatar um dos ovos da ave, em seu ninho, antes do nascimento do primeiro filhote.
As edições anteriores também apresentaram propostas desafiadoras aos estudantes. Em 2007, o objetivo foi apagar um foco de incêndio na floresta. Em 2008, “Soluções para a Colheita de Laranja”, trouxe a dificuldade de pensar alternativas inovadoras para a colheita de laranja. A bióloga e coordenadora da competição, Tamara Aluani, explica que para 2009 a proposta era trabalhar um tema que trouxesse importantes discussões sobre a preservação ambiental e que também atendesse “a necessidade de ser diferente dos desafios anteriores”, explicou.

Saiba Mais Net - Ouça entrevista com o biólogo Fabiano Ficagna
Mas como fazer para resolver um desafio como este? É a pergunta que todas as equipes participantes têm feito. Um quebra-cabeça. “No zoológico, o desafio seria um pouco menor. Na natureza, há de se pensar que os ninhos no geral ficam a uns 20-25 m de altura, as árvores em si, chegam aos 40-50m”, lembra Fabiano Ficagna, biólogo e guia de turismo de floresta, que sempre avistou a ave pousada no meio da copa das árvores, nunca no topo. “Para acessar um ninho como esse na natureza o equipamento teria que varar uma camada de árvores que tem entre o ninho e a pessoa” acrescenta Wesley Silva, pesquisador na área de interação ave/planta da UNICAMP.

Típica em áreas de difícil acesso, em regiões de floresta primária, a Harpia harpyja tem sido vista numa freqüência cada vez menor. No entanto, Ficagna explica que, tendo a oferta de alimento garantida e não correndo o risco de ser caçado, o gavião se estabelece. “Quando se tem o ninho ativo é quase garantido ver a Harpia, se não no ninho em si, perto dele. Se não os adultos, enquanto chocam, o jovem, que fica cerca de um ano e meio perto da árvore onde nasceu.”

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