Luz, câmera, start!
Leandro Carlos Ferreira
Leonardo dos Anjos Miguel
Para quem joga videogames, a frase acima faz total sentido. Se você leitor não entendeu, é simples: jogar praticamente qualquer game atualmente significa ter uma experiência cinematográfica a partir do momento em que você aperta o botão “start” de seu controle. Com a evolução dos consoles e jogos, o lugar para jogos simplórios e sem roteiro fica cada vez mais restrito. Um grande jogo hoje significa uma superprodução – bom enredo, personagens carismáticos, gráficos estonteantes e trilhas sonoras dignas de John Williams.
Darius Roos, responsável pela antiga revista Game-X e jornalista especializado na área de games, afirma que a evolução nos videogames se fez necessária para cativar um público maior. “Na época de Atari e outros consoles antigos, havia uma batalha do jogador contra a máquina, e devido a restrições tecnológicas era tudo simplório”. Segundo ele, “o jogador não tinha a menor chance de ganhar da máquina, os games não eram amigáveis”. “Os videogames, antigamente coisa de criança, hoje tornaram-se experiências únicas, quem joga videogame busca algo a mais, e eles são feitos para qualquer um conseguir jogar”, completa.
Com a evolução tecnológica, jogos com história passaram a ganhar mais espaço e força nas plataformas. “Nos consoles 8-bits surgiram algumas das mais importantes formas de se contar uma história nos games”, diz Roos. Para ele, muitos conceitos utilizados naquela época são freqüentes nos jogos de hoje.
Nos consoles NES (Nintendo Entertainment System) e Master System, clássicos como Super Mario Bros., Legend of Zelda e Sonic the Hedgehog davam os primeiros passos para a indústria dos games tornar-se o que ela é hoje – cinematográfica. Para se ter uma idéia, segundo dados da última pesquisa da ESA (Entertainment Software Association), a indústria dos games faturou US$ 9,5 bilhões de dólares em 2007.
Para o especialista, os games e seu sucesso hoje “são conseqüência de um todo, e o jeito de fazer games tem mudado conforme o jeito de contá-los”. “A grande sacada dos games hoje é fazer com que o jogador se sinta protagonista da história e dar a ele a liberdade de fazer as coisas do jeito que bem entende, como no caso de GTA”, afirma. GTA significa Grand Theft Auto, um dos mais odiados jogos pelo congresso brasileiro. O game possibilita ao jogador cumprir missões de sua gangue, malhar na academia, dar uma volta pela cidade - na última versão do jogo, GTA 4, uma reprodução fiel de Nova York – assaltar carros, matar civis inocentes, policiais, etc.
Títulos aclamados como o jogo de tiro Halo (este já serviu como base até para livros) e o ação-aventura Shadow of the Colossus ganharão conversões para o cinema. Em Halo, em um primeiro momento o jogador assume o papel do soldado Master Chief e tem o dever de salvar a humanidade da raça alien Covenant. Já em Shadow of the Colossus você incorpora Wander, que tem como principal objetivo ressuscitar a garota Mono. Para isso, ele deve matar 16 colossos que habitam uma terra sagrada, cada um tendo uma parte do corpo de uma entidade chamada Dormin, que tem o poder de reviver os mortos. O primeiro game citado inclusive terá direção de Peter Jackson.
Quase que sempre porém, as conversões para os telões não tem resultados bons. Para Roos isso acontece por um simples motivo: “são mídias diferentes, no cinema você tem que contar uma história que dura até 10, 20 horas, em duas, e a essência dos personagens não é respeitada”. “O cinema tem que tornar real algo que é fantasioso, e nem sempre dá certo”. Roos prevê que os jogos, cedo ou tarde, irão substituir o videogame como a principal fonte de entretenimento. “O videogame é mais completo, proporciona a você tudo que um filme proporciona, mas, além disso, é interativo”.
E o próximo passo na evolução dos games já está sendo dado. “Hoje em diversos jogos, o jogador não precisa exatamente ser o protagonista, pode ser um vendedor, entreter os outros fazendo mágica, pode ser o que bem entende, dentro de algumas limitações”. Essas limitações para Roos, certo dia deixarão de existir. “Acredito que os videogames passarão a ser simulações, colocarão você dentro de uma experiência e caberá a você fazer o que quiser”. Enquanto isso não acontece, porém, os gamers podem se “conformar” com seus cinemas portáteis – os seus consoles.
Veja mais:
Neste vídeo, uma amostra de como eram os jogos, seguindo uma linha cronológica dos consoles mais antigos aos de nova geração, mostrando um pouco da evolução dos games, suas histórias e suas cenas de cinema.
Abaixo, momentos memoráveis da história do videogame para Darius Roos:
Seqüência final de Metal Gear Solid para Playstation -
http://www.youtube.com/watch?v=iTDv0eyvYd8
Última fase secreta de Super Mario World para SNES –
http://www.youtube.com/watch?v=UJmfmciA42g
Abertura de Ninja Gaiden para NES –
http://www.youtube.com/watch?v=_rkaiKYEkDQ
Curioso para ouvir as grandes trilhas sonoras dos jogos? Vai aqui um aperitivo:
http://www.youtube.com/watch?v=ZfKA4b5SFq4