Informações em braile deverão constar em embalagens de medicamentos

Camila Marcusso
Carmem Madrilis

Medida dará mais independência aos deficientes visuais - Foto: Camila MarcussoUma medida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pretende modificar as embalagens dos medicamentos distribuídos em hospitais e postos de saúde. A proposta consiste em colocar  as informações em braile (como nome do princípio ativo, concentração, forma farmacêutica e Serviço de Atendimento ao Consumidor) para facilitar a leitura dos deficientes visuais.
A proposta visa dar independência ao deficiente, tornar as informações mais claras e úteis e evitar o erro de medicação. O professor e terapeuta ocupacional Fábio Bruno de Carvalho, acredita que todas as medidas que ampliem a possibilidade de acesso à informação das pessoas com deficiência visual e quaisquer outras são válidas: “Neste caso, o beneficio será no exercício de autocuidado, autodeterminação e diálogo com os profissionais de saúde como qualquer outro cidadão através de um novo recurso de comunicação que é mais adequado e pertinente".

Segundo a deficiente visual Aline Ferreira Jangelli, essa medida auxiliará o deficiente, pois não é sempre que tem alguém a disposição para ajudá-la. A portadora da deficiência sugere outras medidas como pessoas exclusivas para ajudar o deficiente visual a atravessar a rua ou a pegar o ônibus. "É difícil você achar alguma pessoa para te ajudar, muitos não querem ajudar", lamenta Aline.

Na opinião de Devanir de Lima, deficiente visual, outra iniciativa que ajudaria o portador da deficiência, seria disponibilizar um manual em braile ou digitalizado acompanhando vários tipos de produtos, pois todo cidadão tem esse direito como consumidor. Devanir mora sozinho e conta com medidas como essa para enfrentar as dificuldades encontradas no dia a dia.

Para o sucesso dessa iniciativa, alguns cuidados devem ser tomados, como programas de esclarecimento e capacitação, tanto dos deficientes visuais como profissionais da área da saúde. Segundo o professor Fábio Bruno, “é evidente que do ponto de vista prático serão necessárias ações de esclarecimento público, principalmente para as pessoas portadoras de deficiência visual de forma a poderem exercitar este direito. Esclarecimento dos profissionais de saúde, orientação e treinamento dos comerciantes e fiscalização dos laboratórios para que se crie uma nova cultura de cuidados e inclusão dessas pessoas”. Para a pedagoga Fabiana Aparecida de Oliveira, a proposta só vai ajudar o deficiente se for bem feita, pois ela afirma ter visto, em outros produtos, o braile escrito muito separado ou sem muita 'elevação', o que dificulta a leitura do deficiente.

 

 

 

 

Como participar dessa mudança
Essa e outras mudanças foram sugeridas pela Consulta Pública  CP nº08/2009 e recebem contribuições até o dia 11 de maio, que podem ser enviadas pelo fórum virtual de discussão ou por meio de um formulário próprio. O formulário deve ser encaminhado para o e-mail cp.rotulagem@anvisa.gov.br, fax: (61) 3462-5428, ou pelo correio para: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gerência-Geral de Medicamentos – Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Trecho 05, Área Especial nº 57, Brasília – DF, CEP: 71.205-050.

Deficientes participam de atividades no Centro Cultural Louis Braille de Campinas - Foto: Camila Marcusso