Faculdade da terceira idade reintegra idoso

Ana Carolina Turci Leão

A aula de espanhol fascina os estudantes da 3ª idade - Foto: Ana Carolina Turci LeãoO idoso corresponde à faixa da população com idade igual ou superior a 60 anos. No Brasil eles já são mais de 14 milhões representando 8,6% do total de habitantes. Segundo o guia brasileiro da terceira idade, em 2025 a estimativa é que o Brasil assuma a sexta colocação no ranking dos países com maior número de idosos.

Devido a esta crescente parcela da população, aumenta cada vez mais no Brasil o número de faculdades voltadas a este tipo de aluno. A faculdade da terceira idade, originada na França em 1973 pela Universidade de Toulouse com o médico e pesquisador Dr. Pierre, tem como objetivo específico um ensino próprio para adultos dessa faixa etária.

No Brasil a PUC-Campinas foi a primeira neste setor, fundou em 1990 um curso especifico para pessoas da terceira idade. Atualmente o curso da instituição campineira tem dois anos de duração e o conteúdo é voltado inteiramente às necessidades dos idosos, eles aprendem sobre o mundo e as adaptações que os cercam nesta fase da vida. Economia, saúde, jornalismo, relações publicas e política são alguns dos temas abordados ao longo do curso.

Para a professora de serviço social da PUC-Campinas e coordenadora deste projeto Jeanet Liash, muitos de seus alunos principalmente as mulheres estão realizando o desejo de aprender. “Antigamente a mulher não tinha oportunidade de estudar. Culturalmente elas eram preparadas para ser mães, donas de casa e esposas. Elas se emocionam ao verem que estão aprendendo como seus filhos e netos puderam aprender”, relata.

Alunos fazendo exercícios de aquecimento antes da aula de dança - Foto: Ana Carolina Turci Leão

Jeanet também conta o que é preciso para participar do curso. “A pessoa precisa ser alfabetizada, mas esse é um curso livre, sem provas, no qual são exigidos 65% de presença mínima para obter o certificado de conclusão. Os alunos que estão há anos com a gente, hoje fazem parte de diversos projetos comunitários, levando o conhecimento para seus próprios grupos e comunidades, criando um efeito multiplicador”.

Para a aposentada de 81 anos Maria da Conceição o curso de extensão mudou totalmente a sua vida, “Minha depressão sumiu. Aprendi muito na faculdade e sei que posso passar isso aos outros. Percebi que a vida não acaba aos 80 anos. Tem muita gente que esta doente e acha que ficar em casa é o melhor a fazer. Eu corri da depressão e hoje estou aqui muito bem”, se emociona.

Muitos dos idosos que chegam à faculdade da terceira idade se mostram num estado lastimável, com depressão profunda em conseqüência de aspectos como viuvez e solidão. A maioria dos alunos é indicada por médicos e psicólogos, já que é notada uma recuperação mais acelerada do quadro clínico quando o idoso freqüenta a faculdade.

A psicóloga Heloisa Ribeiro acredita que esta iniciativa é fundamental. “Depois de uma certa idade há uma tendência de haver uma baixa estima, então o idoso percebe que pode brincar, dançar, estudar e o mais importante ele pode passar seus conhecimentos a outras pessoas. Na faculdade da terceira idade existe uma troca muito grande. Existe uma auto valorização”, explica.

Assista agora o filme com o depoimento das alunas da faculdade da 3a idade!