Tanorexia: obsessão em busca da cor perfeita

Vanessa Genari Pacheco
Camila Araújo

Exposição ao sol pode se transformar em síndrome Ambulantes e pescadores se expõem ao sol por necessidade, mas há quem o faça por pura vaidade. A obsessão pelo sol sem proteção pode ser sintoma de dependência química. Médicos brasileiros já batizaram essa busca obsessiva pelo corpo dourado como tanorexia.

É importante ressaltar que o hábito de tomar sol trás conseqüências positivas. Os raios ultravioletas estimulam a produção de endorfina, substância responsável pela sensação de bem-estar e prazer.

O que muita gente não sabe é que o costume de se bronzear pode desencadear uma doença. Natural ou artificial, o bronzeamento se torna uma obrigação prazerosa e ao mesmo tempo muito arriscada. Os riscos com a saúde da pele ficam em segundo plano quando comparados com o anseio constante pelo corpo dourado.

Beatriz Turci, relações públicas de 25 anos, assume que mesmo conhecendo os riscos da exposição excessiva aos raios ultravioletas, toma sol de três a quatro vezes por semana em horários impróprios, inclusive no inverno “Eu fico horas torrando no sol para ficar com a cor que desejo, mesmo sabendo que posso enfrentar conseqüências”, reconhece. Para a joseense Turci, tudo é válido quando se tem um objetivo. “É uma meta, um foco que eu tenho”, ressalta.

De acordo com a psicóloga Mônica Salomão, o fato de uma pessoa voltar toda a atenção para o desejo de permanecer constantemente bronzeada pode ser considerado um dos sintomas da doença. “O tanoréxico pode desde desmarcar compromissos para obter o bronzeado, até não estar disponível para qualquer outra coisa que não seja o ato do bronzeamento no horário que ele estabelece ser o adequado”, ressalta a psicóloga.

Ainda segundo Mônica, o psicológico de uma pessoa tanoréxica é fator crucial que desencadeia a doença, assim como qualquer outro transtorno obsessivo e compulsivo.

 Saiba Mais Net - Ouça entrevista com a psicóloga Mônica Salomão

Conseqüências da obsessão

Beatriz Turci toma sol 3 vezes por semana.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 80% dos casos de câncer de pele têm como causa a exposição aos raios ultravioleta (do sol ou artificial).
A pele não é a única prejudicada nisso tudo. Segundo o oftalmologista Luiz Carlos Portes, a exposição excessiva ao sol pode causar desde ardência e irritação até inflamação na córnea. Até agora, a pesquisa científica mais contundente foi realizada na Suécia, há cerca de dois anos. Esse estudo concluiu que pessoas que se expõem a mais de dez sessões de bronzeamento artificial de 20 minutos por ano tem sete vezes mais probabilidade de desenvolver um melanoma - mais perigoso dos tumores de pele.

 

 

Previna-se

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, é preciso fazer um auto-exame de pele periodicamente. O procedimento é simples e ao fazê-lo regularmente, a pessoa se familiarizará com a superfície normal da pele. É útil anotar as datas e a aparência da pele em cada exame. Procure por manchas que coçam, descamam ou sangram. Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor e feridas que não cicatrizam em quatro semanas são um alerta.
O procedimento de auto examinação deve ser feito em frente a um espelho com os braços levantados. Examine o corpo de frente de costas e os lados direito e esquerdo dobrando os cotovelos e observando as mãos, antebraços, braços e axilas. Examine as partes da frente, de trás e dos lados das pernas além da região genital. A planta e o peito dos pés assim como os entre os dedos não devem ser esquecidos. Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova, examine o couro cabeludo pescoço e orelhas. Se alguma irregularidade for encontrada, a orientação do Inca é procurar um dermatologista para exames mais aprofundados.

O tratamento do câncer pode ser feito com cirurgia ou aplicação local de medicamento, dependendo da profundidade e da extensão da doença.