Fechamento da Rádio Muda continua sem explicação
Otávio Antunes
João Barros
As circunstâncias do fechamento da Rádio Muda, em Campinas, continua sem explicação. Passados dois meses do ocorrido e a situação permanece obscura.
Relembrando o caso, a Policia Federal lacrou o local, que fica na “caixa d’água” da Unicamp. A rádio existe há mais de 15 anos, foi a primeira em Campinas e umas das primeiras no Brasil a debater o conceito de “rádio livre”. Essa atitude ocorreu último dia 19 de fevereiro.
A PF já havia tentando lacrar a rádio três vezes nos últimos anos, no entanto, os estudantes descobriam antes a ação e se mobilizavam. Duas vezes fizeram bloqueio humano impedindo a entrada dos policias e, em uma outra vez, tiraram os equipamentos antes da chegada.
O mandado foi cumprido às 5h30, horário pouco habitual e inconstitucional, segundo Jerry Oliveira, coordenador da ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária).
O mandado de busca e apreensão foi expedido pela juíza da 1ª Vara Federal, em Campinas, Fernanda Soraia Pacheco, (veja a cópia aqui), em 21 de junho de 2007 e executado pelo delegado-chefe da PF Antonio Pietro.
Jerry Oliveira novamente questiona a ação. “O mandato é antigo, depois disso já foram dados pareceres favoráveis ao direito de livre comunicação, inclusive por juízes de Campinas, o fato é uma afronta ao Estado de Direito”.
O Saiba Mais Net procurou a diretoria da Rádio Muda para se manifestar. Um dos membros do coletivo, que preferiu não se identificar, também lamentou o ocorrido e a perseguição policial. “Prefiro não me identificar porque estão perseguindo os estudantes que tinham relação com a rádio” e completa “nós temos consciência do nosso papel em relação à democratização dos meios de comunicação”.
O estudante afirma também que a legalização da Rádio Muda não seria um problema para eles. “Somos privilegiados, estamos dentro de uma universidade pública, de nome, no entanto, aqueles que não têm essa condição precisam de ações como a nossa que questionem o monopólio dos meios de comunicação no Brasil e defendam a liberdade de expressão em todos os níveis.”
O Delegado Antonio Petri não foi encontrado para falar sobre o assunto, mas, o principal jornal de Campinas, o Correio Popular, noticiou que maconha foi encontrada no estúdio, além disso, para o jornal, o delegado afirmou que a PF abrirá investigações para apurar responsabilidade sobre a rádio e sobre a droga encontrada.
A reitoria da Unicamp manifestou apoio à Rádio Muda e às inúmeras rádios livres e comunitárias de todo mundo. Outras entidades e sites, como o STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) e a CMI (Centro de Mídia Independente), manifestaram sua solidariedade e indignação e se posicionaram contra o fechamento da rádio, que chamaram de “um símbolo da comunicação alternativa no Brasil”.
A “Operação Silêncio” lacrou outras oito rádios nas cidades de Indaiatuba, São João da Boa Vista, Capivari, Várzea Paulista, Vinhedo e Campo Limpo Paulista e prendeu quatro pessoas, que depois de ouvidas foram liberadas.
Confira também entrevista com o coordenador da ABRAÇO, Jerry de Oliveira:
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