Caramujo africano representa risco à agricultura da região

Gláucia Scavassa
Luciene Sans

Professores Luiz e Eliana Magalhães estudam quais os riscos que o caramujo pode trazer.As chuvas e o tempo úmido decorrentes desta época do ano contribuem para a procriação e o reaparecimento do caramujo-africano, que tem causado danos ambientais e prejuízos econômicos à agricultura da região. Além disso, como todo molusco, é potencialmente perigoso para a população, pois tem a capacidade de carregar vermes causadores de doenças que podem até levar à morte.

Segundo a pesquisadora e professora de parasitologia da Unicamp (Universidade de Campinas), Eliana Maria Zanotti Magalhães, há uma controvérsia na literatura sobre como foi a introdução do caramujo-africano, conhecido cientificamente como Achatina fulica, no Brasil. No entanto, o mais notório é de que ele foi introduzido ilegalmente na década de 80 em uma feira agropecuária no Paraná, como uma especiaria barata concorrente ao escargot. Mas o molusco não foi bem aceito. O gosto não agradou e seus criadores, assim que descobriram que a espécie poderia transmitir doenças, desfizeram-se das criações, fazendo com que se dispersassem por todo o país.


Atualmente, o caramujo-africano é mais um problema agrícola do que de saúde pública, pois ele constitui uma praga agrícola de difícil erradicação pela sua grande capacidade reprodutiva, fácil adaptação a condições climáticas diversas e por não possuir um predador natural aqui no Brasil, explica o pesquisador da Unicamp Luiz Augusto Magalhães. Ele salienta ainda que, na região, o molusco já promoveu a devastação de plantações de verduras, legumes e frutas.
Nesse contexto, a população é diretamente afetada, pois a forma mais freqüente de infecção é através da ingestão de verduras ou água contaminada pelos vermes - que são microscópicos e hiper-resistentes - encontrados no muco deixado por qualquer molusco que esteja infectado, causando duas doenças: a Angiostrongylos cantonensis e a Angiostrongylos costaricensis.

O malacologista da Sucen-SP (Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo), Horácio M. S. Teles, acredita que em função da dificuldade de diagnosticar essas doenças, elas são confundidas, por exemplo, com casos de apendicite na ocorrência de complicações abdominais. Por isso é possível que o número de casos e óbitos sejam muito superiores aos conhecidos, como acontece com muitas outras infecções parasitárias, explica.
Ao verificar a presença do caramujo-africano, alguns cuidados essenciais devem ser tomados. O Coordenador de Vigilância em Saúde da cidade de Amparo, Luiz Seragi Neto, explica que o simples contato com o molusco infectado permite o contágio da doença, portanto, é obrigatório utilizar uma luva ao manuseá-lo.

 

 

 

 Saiba Mais Net - Saiba como o trabalho é realizado na vigilância sanitária

 Saiba Mais Net - Como matar o caramujo africano

 Saiba Mais Net - Como evitar entrada dos caramujos em casa